Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2010

As máquinas não podem sentir

As relações humanas, diante da complexidade que as envolve, estão em constante contradição, devido à individualidade de cada um. O autoconhecimento e a capacidade de entender o outro são fundamentais para uma convivência saudável. Mas nem sempre esse entendimento é possível. Afinal, no mundo moderno no qual tudo é instantâneo, não há tempo para grandes reflexões.

Entre razão e emoção o homem se divide. Esquece, porém, de buscar o equilíbrio e, de alguma forma, acaba dominado por um destes sentimentos, o que lhe causa profundo mal. Dinheiro e poder dificilmente andam juntos com amizade e afeto. No primeiro caso, muitas vezes, estão as prioridades. No segundo, cujos benefícios são imprescindíveis para uma existência mais feliz, ficam em segundo plano. 
Identificadas como as "vilãs" deste século, a ansiedade e a depressão atingem milhões de pessoas em todo o planeta. Doenças graves, consequências de uma vida atribulada, superficial e muitas vezes vazia. Não se pode viver sozinh…

O que nos falta...

"É preciso perceber e compreender o universo; Alcançá-lo, abraçá-lo; e nutrir-se de seu esplendor."

O homem recria, mas também destrói

Desde os primórdios das civilizações, o homem experimenta os mais variados tipos de conflitos; sejam eles por motivos religiosos, territoriais ou econômicos. A evolução caminhou a passos largos até os dias atuais. Mas o conhecimento não fez desse ser o mais sensato dentre as espécies. Ele busca por meio de suas faculdades, o domínio a qualquer custo, sobre os mais fracos.
A inteligência que deveria ser usada em prol de uma maior igualdade entre os povos, concentra-se na invenção e construção de bombas, armas nucleares, aviões, navios e tanques de guerra. É a arte da criação com o propósito de destruição. As cidades de Hiroshima e Nagasaki conhecem bem os efeitos de tais inventos. Elas guardam até hoje nas lembranças as marcas da grande tragédia de 1945, quando a bomba atômica foi lançada sobre o Japão. Naquele dia, milhares de vidas e sonhos se dissiparam no ar como poeira. Gente inocente de todas as idades foi aniquilada em poucos segundos, sem a menor piedade.
Definitivamente, o homem …

E tudo será belo

Um dia tudo passa;  a dor, a paixão, 
a juventude. Então,  chegará o momento 
do recomeço... E tudo será belo,  como uma tarde de outono.

Consumo: Vontade própria ou influência midiática

Todos os dias somos bombardeados através do mais variados meios de comunicação, com comerciais que nos levam a crer que os produtos oferecidos são indispensáveis para nossa vida. São celulares, sapatos, roupas de todas as marcas e modelos, tintas de cabelo entre outros; eles procuram vender a ideia de que seremos mais felizes usando tais produtos. 

A persuasão midiática é infalível, não demora muito e lá estamos sucumbidos pelo desejo de consumo. São tantas imagens belas, tantos sorrisos, tanta alegria, que é quase impossível não se render. 

Contudo, não podemos chamar isso de alienação, já que na maioria das vezes, se não todas somos praticamente empurrados para o consumismo. Por exemplo, uma calça que foi moda na última estação, se for usada por uma pessoas um ano depois, esta não se sentirá à vontade, estará completamente fora de contexto, sentirá até rejeição por parte dos próprios colegas que convive. 

As indústrias obriga-nos a consumir o que eles produzem, querendo ou não. É como …

Mulher ao espelho (Cecília Meireles)

Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

O Homem; as viagens (Carlos Drumond Andrade)

O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para te ver?
Não-vê que ele inventa
roupa ins…
Projetei minha alma para o infinito,
Viajei.
Foi apenas por um segundo, Mas estive lá.

Nesse segundo, Fui parte dos mistérios profundos Das galáxias. Fui inteiramente parte de lá.

A mágica desse momento vivido Revela-se no brilho de meus olhos Tão diminutos, Mas que por um instante Conheceram a perfeição, O inimaginável, o inacreditável.

Eu estive lá. E jamais sentirei Que não faço parte da arte De viver, verdadeiramente, no esplendor Do que parece impossível.

Não, não foi um sonho. Tampouco a realidade De que se tem conhecimento A humanidade.

Foi algo que não se conhece, Que não se repete.

O que vi, guardei em mim. E foi assim que descobri Que meu céu é único, Só eu o conheço e posso alcançar. Acredite, eu estive lá.

A viagem II

Projetei minha alma para o infinito, viajei Foi apenas por um segundo, mas estive lá Nesse segundo fui parte dos mistérios profundos Das galáxias, fui inteiramente parte de lá A mágica desse momento vivido, Revela-se no brilho de meus olhos, tão diminutos Mas que, por um instante conheceram a perfeição; O inimaginável, o inacreditável... Eu estive lá; E jamais sentirei que não faço parte da arte De viver verdadeiramente no esplendor Do que parece impossível;. Não, não foi um sonho, tampouco a realidade

Adeus, adeus

Sinto que chegou a hora.
Devo partir.
Se ficar tenho plena certeza
De que não serei feliz,
Como antes pensava que seria.
Se ficar estarei condenando-me
A um viver sem esperança,
Um viver de ilusão.
Não me conhecia. 
Agora eu sei.
Pensava ser alguém
Que hoje vejo claramente
Está muito distante
Do que realmente sou.

Sempre deixei que a vida me levasse,
para onde quisesse, sem reclamar.
Sem contestar,
Sem fazer perguntas.

Simplesmente a seguia.
Mas, de repente sinto
Que posso ser dona de minhas vontades.
Dona do meu caminho.

O tempo passa veloz
E quando nos damos conta,
Já não somos mais as crianças de outrora.
Aquelas que traziam nos olhos,
Todo um universo de sentidos.

Passou.
Passou a inocência,
A puerilidade,
O frescor, 

Passou o tempo.
Resta-me seguir.
Desta vez com destino certo.
Não posso levar ninguém.
Esta viagem é minha.
É para dentro
E não para fora.
É um mergulho interior.
É uma busca.

Sei que antes de partir
Devo abandonar metade de mim.
A metade que me arrasta,
Que me entristece,
Que me enlouquece…