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Planeta Coração - Suely Melo

Os caminhos são tantos, 
os sonhos oceanos.
Os amores encantos, 

as vaidades enganos;
É a vida! 

Uma caixinha colorida.
Dentro dela, 

labirintos e saídas,
encontros e despedidas.
Meu coração é um planeta,
que flutua 

no infinito do meu ser,
que adora ser o que é...
Um planeta povoado
de lembranças e incertezas,
de verdades e ilusões,
de paixões e canções...
E, embora, por vezes inquieto,

no seu flutuar 
encontra a serenidade, 
e eterniza o momento.
Ainda que seja breve, 

é válido, ele sabe e aceita.
Porque o destino de um coração 

é ser inconstante...
Este é o mágico sentido 

da sua existência. 

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A tal esperança

Tenho vontade,  às vezes,  de abandonar, numa esquina  qualquer do meu ser, essa tal esperança  que insiste em viver comigo.
***
Porque embora às vezes
ela seja alento e ilumine
como um farol na noite escura,
outras, ela pode ser apenas
vã expectativa
que se arrasta
por toda uma vida.




Dar à luz um poema

As entranhas em ebulição.
Caneta, papel, teclas
ao alcance das mãos.
O poema quer nascer.
Quer conhecer o mundo,
Ver as estrelas, o mar,
A vida externa.
Já não cabe dentro da alma.
Quer voar, pousar na flor,
Tal qual borboleta
ou colibri apaixonado,
quer beijar...
Mesmo que seja a tez do word.
Oh, sim!
Como virá à tona não lhe é importante,
se da tinta de uma caneta
ou das teclas de um computador.
Nascer é só o que ele quer.
E ser livre,
ser amor, ser dor,
ser protesto, resistência.
ser esperança.
ser sonho, ser possível.
Realizar-se poesia.
Ser, simplesmente.

Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

Pronto, nasceu.
Libertou-se, bateu asas.
Pousou sutil, leve como a brisa
num diário solitário.
No olhar de alguém
do outro lado da tela, do outro lado do oceano.
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Corações foram tocados.
Um novo universo surgiu.
O poema está em festa,
Viverá.

Despertar das borboletas

Coração te viu há um tempão,
mas a princípio sentiu nada, não.
Um dia, como outro
qualquer no mundo,
mergulhou nos olhos teus...
E naquela cena de segundos,
percebeu que havia algo ali,
até então desconhecido...
E foi assim, com aceleradas
e ruidosas batidas, no cantinho
esquerdo do peito,
pela alegria da descoberta,
que ele despertou aquelas
preguiçosas borboletas,
há muito tempo dentro
de mim adormecidas.

s.melo