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Poesia

A poesia está em todo lugar.
Em você, em mim, no luar, no mar...
Está na tristeza (ou alívio) do fim, 
na beleza do começo, 
na esperança do recomeço. 
Está na leveza da alma 
de quem sabe doar. 
Na grandeza de quem estende a mão, 
de quem abre o coração. 
Em cada vez que amanheço, 
em cada mergulho dentro de mim 
- ou do outro. 
Na arte do encontro. 
Até no desencontro. 
Está no amor e também na dor. 
Na perfeição da natureza, 
na incerteza... 
Poesia é vida nos dizendo: viva.
Aproveite. Sonhe. Desperte. 
Lute.Deseje. Chore. Seja humano. 
Seja presente. Espere. 
Vá em frente. Enfrente. 
Experimente... 
Porque tudo passa. 
E passa muito de repente.

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A tal esperança

Tenho vontade,  às vezes,  de abandonar, numa esquina  qualquer do meu ser, essa tal esperança  que insiste em viver comigo.
***
Porque embora às vezes
ela seja alento e ilumine
como um farol na noite escura,
outras, ela pode ser apenas
vã expectativa
que se arrasta
por toda uma vida.




Dar à luz um poema

As entranhas em ebulição.
Caneta, papel, teclas
ao alcance das mãos.
O poema quer nascer.
Quer conhecer o mundo,
Ver as estrelas, o mar,
A vida externa.
Já não cabe dentro da alma.
Quer voar, pousar na flor,
Tal qual borboleta
ou colibri apaixonado,
quer beijar...
Mesmo que seja a tez do word.
Oh, sim!
Como virá à tona não lhe é importante,
se da tinta de uma caneta
ou das teclas de um computador.
Nascer é só o que ele quer.
E ser livre,
ser amor, ser dor,
ser protesto, resistência.
ser esperança.
ser sonho, ser possível.
Realizar-se poesia.
Ser, simplesmente.

Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

Pronto, nasceu.
Libertou-se, bateu asas.
Pousou sutil, leve como a brisa
num diário solitário.
No olhar de alguém
do outro lado da tela, do outro lado do oceano.
Olhos cintilaram.
Corações foram tocados.
Um novo universo surgiu.
O poema está em festa,
Viverá.

Despertar das borboletas

Coração te viu há um tempão,
mas a princípio sentiu nada, não.
Um dia, como outro
qualquer no mundo,
mergulhou nos olhos teus...
E naquela cena de segundos,
percebeu que havia algo ali,
até então desconhecido...
E foi assim, com aceleradas
e ruidosas batidas, no cantinho
esquerdo do peito,
pela alegria da descoberta,
que ele despertou aquelas
preguiçosas borboletas,
há muito tempo dentro
de mim adormecidas.

s.melo