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Mostrando postagens de Outubro, 2012

Palavras

Quando eu era criança adorava ler. O porquê eu não sabia, mas adorava. O problema é que onde eu nasci tudo era muito precário. E eu só pude ler três livrinhos da escola. E eu me lembro de cada um deles. Das cores, dos desenhos, até do cheiro que eles tinham. Mas o que me encantava mesmo eram as palavras. Ah, aquelas palavras eram apaixonantes, preenchiam-me de uma forma, que até hoje, não consigo explicar. Simplesmente sinto.
Meus irmãos dizem que eu quase não falava. Minha mãe achava que eu era surda, porque às vezes ela me chamava e eu não a ouvia. Descobri muito tempo depois que, na verdade, eu vivia em um mundo a parte. Um mundinho só meu. Cheio de letrinhas que formavam palavras que eu queria entender.
Muito antes dos dez anos, eu já admirava as estrelas. Deixava-me entorpecer pelo laranja que coloria o horizonte, quando a tarde caía. Passava horas no jardim que minha mãe cultivava do lado direito da nossa casa. Ficava alí com meus pensamentos infantis.
Eu tentava achar palavras pa…

O cupido impiedoso

... E foi assim que aconteceu. O cupido impiedoso Atirou sua flecha Envenenada de paixão Em direção Ao meu coração.
Tiro certeiro.
E,  pronto. Cá estou Com o peito em chamas,
Queimando por um amor, Por vezes real, Por vezes ilusão.
Mas, pensando bem, Talvez ele não seja Tão ruim assim,
Pois, Sem amor, Sem paixão, Sem fantasia, Sem fogo,
O que seria de mim?

Perfume

Ah! Esse perfume!
Essa lembrança sem nome.
De quem? De onde?
Quem será que se esconde,
No fundo da minha saudade?
Esse rosto que não vejo,
Apenas sinto o estalo de um beijo
E um imenso desejo
Queimando no peito.
Será mesmo lembrança
De um tempo que passou,
Que o tempo há muito levou?
Ou será apenas um sonho,
Que acreditei ser realidade?
De onde vem essa saudade,
Essa vontade, esse perfume,
Sem rosto, sem nome,
De quem, de onde?







Dane-se

Dane-se você que não aceita o que sou.
Dane-se você que só sabe reprimir.
Dane-se você que se diz ser tão normal.
Dane-se você que acha que é o tal.

Dane-se você que não vê o meu melhor.
Dane-se você que só sabe me julgar.
Dane-se você  que se diz superior.
Dane-se você que não entende meu olhar.

Dane-se você que diz que eu não presto.
Dane-se você que não percebe minha aura.
Dane-se você que recusa o meu afeto.
Dane-se você que não ouve minha palavra.

Que esteja do meu lado quem, de fato, me reconhece;
Quem perdoa os meus erros, quem aceita o meu abraço;
Quem recebe o meu sorriso, quem me ama sem algema;
Quem me invite a conhecer o infinito de seu ser.

Quem dentro de sua inconstância,
Seja constante de coração, quem me cante uma canção;
Quem me recite um poema, quem segura minha mão.
Que esteja do meu lado, quem, de fato, reconheço e aceito.