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Mostrando postagens de 2013

Blue moon

Há dias em que sou primavera.
Floresço em todas as cores, formas e olores. Há dias em que sou estrada longa e triste
A espera de alguém que deixe em mim suas pegadas.
Há dias em que sou céu coberto de estrelas, Derramo sobre a terra luz e mistério.

Há dias em que sou mar, Por vezes calmo, por vezes violento.
Há dias em que adormeço aurora e desperto crepúsculo.
Há dias em que sou poema ainda por ser escrito. Há dias em que sou fogo em labaredas faiscantes. Há dias em que sou lago frio preso às minhas ilusões.

Há dias em que sou realidade; noutros, miragem. Há dias em que choro sem saber o porquê. E há dias em que sinto o peito explodir em uma alegria Que parece não ter fim.

Há dias em que a vida não faz sentido E outros em que meus sentidos Amam cada pedacinho dela.

Há dias em que caio no abismo mais profundo e terrível Que se possa imaginar. E outros em que de tão leve flutuo como uma melodia de Bach.

Há dias em que sou tempestade, noutros serenidade. Há dias em que sou pesadelo, noutros nuvem viajante. Há d…

A viagem

Projetei minha alma para o infinito,
Viajei.
Foi apenas por um minuto, Mas estive lá.

Nesses poucos segundos, Fui parte dos mistérios profundos Das galáxias. Fui inteiramente parte de lá.

A mágica do momento vivido Revela-se no brilho de meus olhos Tão diminutos, Mas que por um instante Conheceram a perfeição, O inimaginável, o inacreditável.

Eu estive lá. E jamais sentirei Que não faço parte da arte De viver, verdadeiramente, no esplendor Do que parece impossível.

Não, não foi um sonho. Tampouco a realidade De que se tem conhecimento A humanidade.

Foi algo que não se conhece, Que não se repete.

O que vi, guardei em mim. E foi assim que descobri Que meu céu é único, Só eu o conheço e posso alcançar. Acredite, eu estive lá.

Crepúsculo de outros tempos

Antes era a imaturidade.
A doce ignorância.
O não saber, 
Por ainda não ser o tempo de saber.

Antes era a beleza,
O sorriso aberto,
Sem a máscara,
Sem a prisão.

Tempo brincar, 
De sonhar.

Antes eram tantos mundos,
Tantas viagens,
Tantos heróis e vilões pelos caminhos
Da fértil imaginação.

O horizonte parecia estar tão perto.
Ao alcance das mãos.

Antes era a felicidade plena,
Sem algemas,
Sem preço,
Sem segredos relevantes.

Antes o medo era apenas do escuro.
E a maldade só existia nos contos de fadas.

Mas eis que chega a realidade.
Assim, num fechar e abrir de olhos.
Com ela, o fim da inocência. 
O mal está em toda parte.

Os dias passam sem piedade,
Mas também com muita graça.
Sim, apesar de tudo.

Lembranças passeiam nos labirintos
De meus pensamentos.
Misturando-se ao presente
Tão certo e
A dias vindouros que não os são. 
Não sei se chegarão.

Mas o que importa tudo isso?
Qual o sentido de minhas palavras?

O mundo gira sem parar, 
Independentemente de meu existir
E da dor que carrego
Por ser o que sou: humana,
Errante.

No fina…

Porcelana

Quando fiz 12 anos de idade, uma prima que acabara de se casar precisava de alguém para ajudar nas tarefas de casa. Minha mãe sempre quis que seus filhos não tivessem a vida que ela teve, ou seja, uma vida de pouco estudo. Por conta disso, ela achou que era uma ótima oportunidade de crescimento e autorizou que minha prima me levasse com ela para São Paulo. Naquela época, eu morava lá no norte de Minas Gerais, região de cerrado, às margens do Velho Chico.
Eu, quando criança até a adolescência com meus dentinhos abertos, era tímida, calada, submissa; tudo que me mandavam fazer eu fazia. Não havia em mim qualquer sintoma de rebeldia. Aceitava o que me ofereciam sem reclamar. Quando era algo bom, ficava feliz, quando era algo ruim, debulhava-me em lágrimas. E assim corriam meus dias. Enfim, embarquei com minha prima que amava minha mãe, mas - descobri logo depois da viagem - não ia muito com a minha cara.
A situação era a seguinte: ela e o marido viviam em um apartamento novinho, aconch…

>> Destino: Ouro Preto

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A palavra viagem abrange diversos sentidos. Transportar-se é um deles. Transportar-se para outro lugar, outro contexto, outra cultura. Viajar para Ouro Preto, em Minas Gerais, foi isso. Um belo transportar-se. Aliás, foi além. Foi um abrir de janelas para um universo, antes, apenas imaginado por meio das histórias contadas nos livros, mas desconhecido no seu caráter intrínseco e verdadeiro. Conhecer Ouro Preto - um pedacinho dela - Foi uma aventura incrível. Memorável. Estar ali. Caminhar sem pressa. Esquecer da vida por algumas horas. A cidade carrega em cada canto de suas ruas de paralelepípedo, em cada ladeira, em cada igreja e sua arquitetura, as marcas de um passado complexo. Um passado de riquezas e tristezas. De ganância e escravidão. De conflitos. De lutas por liberdade. Na senzala, impossível não se sensibilizar, mesmo depois de tanto tempo. Instrumentos de variados tipos submetiam os escravos a uma forma de existência brutal. Estavam condenados àquela condição. No interior da…