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Cenas cotidianas

Na movimentada avenida: um ônibus, uma bicicleta, uma história interrompida. Carros de bombeiros, tráfego interditado, a vida se esvaindo. De um lado, a bicicleta retorcida como se fosse de borracha, o sapato, - um só-, o boné e a mochila cor de musgo desbotado. Do outro, no asfalto frio das seis da manhã, o corpo de um homem estendido. Imóvel. Sobre ele, bombeiros. Fazem o possível para salvá-lo. Inútil. A morte já o tem nos braços. No sentido oposto da avenida: carros, caminhões, motos, buzinas ao longe. Todos seguem devagar. Olham o cenário por alguns segundos e seguem seus caminhos. A linha que separa vida e morte é mesmo muito tênue. Basta uma fração de segundos. E, fim?





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Despertar das borboletas

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mas a princípio sentiu nada, não.
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E naquela cena de segundos,
percebeu que havia algo ali,
até então desconhecido...
E foi assim, com aceleradas
e ruidosas batidas, no cantinho
esquerdo do peito,
pela alegria da descoberta,
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s.melo

O mundo é uma janela

O mundo é uma janela...
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por meio dela.
Tem gente que
a mantêm fechada,
tem gente que
a deixa sempre aberta...
Simplesmente porque
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s.melo

Não me deixe só (apelo à poesia)

Muitas vezes guardo o choro e a dor.
Não desejo revelá-los, pertencem a mim.
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Somente ela me conhece verdadeiramente.
Como explicaria o que se passa por dentro?
São tantas incertezas, descaminhos, pedregulhos.
Ela me entende e serena minh'alma.
Mas eu não preciso entendê-la, apenas senti-la.
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Sabe de minhas fraquezas, de minhas tristezas,
de meus ais.
Sabe que sou parte disso, mas nisso não quero pensar.
Sabe também que tenho no peito um músculo,
que bate involuntariamente e que é frágil e inconstante.
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Quem sabe noutra existência?
Há tantas estrelas por aí, mas por ora tenho de ficar aqui.
Oh, Deus, por que pessoas pisam nos corações umas das outras?
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