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Outros tempos - vida que vai, saudade que fica

Por liemversos

Flores dos mais variados tipos e cores desabrochavam no jardim. Borboletas e beija-flores encantavam com leveza e muita graça em cada bater de asas. E pássaros cantavam alegremente, despretensiosamente, anunciando um novo dia. A primavera chegara.

As crianças brincavam, correndo de um lado para o outro. O vento da liberdade balançava os seus cabelos. Os pequeninos corações batiam acelerado, quase saltando para fora do peito. Tudo era tão bonito, tão perfeito. A alegria de viver e aproveitar cada momento, mesmo sem saber a importância disso, estava presente em cada sorriso, em cada olhar, em cada movimento.

Lá havia gatos, cachorros, galinhas e seus barulhentos cocoricós. E um entardecer que era pura poesia. Um entardecer como nunca mais vi em nenhum outro lugar por onde andei. Um entardecer que caia lento, sem pressa, delicadamente e incrivelmente laranja. Inesquecivelmente poético.

Lá não tinha energia elétrica, mas tinha um céu de lua e estrelas para iluminar as noites. Céu lindo e cintilante como aquele também nunca mais vi por aí. Lá não tinha televisão, nem computador, mas tinha um radio de pilha e um violão para alegrar as tardes tão serenas, tão plenas.

Também não tinha geladeira, nem água encanada, mas tinha verduras, legumes e frutas colhidas no pé e uma fonte de água doce e cristalina.

O tic tac das horas não pára. E a gente, pouco a pouco, vai indo embora. Mas enquanto passamos, sem saber até onde vamos, as lembranças permanecem, e a alma ainda sorri quando recorda uma brincadeira inocente ou uma travessura dos tempos da meninice... Uma manhã colorida de primavera, um cheiro longínquo de terra molhada depois da chuva ou uma brisa suave no fim de uma tarde laranja de outono... Sim. Sorri, se aquece e guarda tudo outra vez na caixinha das memórias eternas, que vez por outra é aberta para nos mostrar que a nossa essência segue intacta, rica. No mais, vida que vai. Saudade que fica.

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