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Mostrando postagens de Maio, 2017

É preciso insistir - sempre

Por Sueli Melo

Talvez uma das coisas mais difíceis de ser conquistada nesta vida seja a nossa capacidade de compreender - justamente pela dor que isso causa - que não podemos controlar o mundo à nossa volta. Mas a gente se engana. Acha que  sempre está no comando das situações. Não estamos, porém.

Porque a vida é feita de relações nada simples. Qualquer que seja a situação, ela vai envolver sentimentos diversos. E em maior ou menor intensidade: raiva, amor, tristeza, alegria, medo, insegurança. E no sentir, pensar e agir das pessoas ninguém pode mandar. Nem mesmo quem os vivencia.

Cada um é um universo complexo e desconhecido - muitas vezes de nós mesmos -, que, ingenuamente, acreditamos conhecer. Tentar entender e aceitar essa realidade é uma luta penosa e constante.

É preciso arranjar forças e acreditar que o impossível não existe, para tentar vencer, a cada dia de vida, os males que nos matam por dentro e ser um ser melhor.

É preciso insistir. Sempre. Esta é a minha busca.

Maria e José

Por Sueli Melo

Ele nasceu primeiro. Maria, dois anos depois. Os pais de José não o quiseram, deram-no aos tios. Maria era a antepenúltima dentre mais de dez irmãos. Pois é, o tempo passou e um dia, os destinos de Maria e José se cruzaram. José tinha olhos verdes e acesos. Os de Maria eram castanhos e meigos. Ambos repletos de sonhos. Os sonhos ingênuos refletidos nos olhos de qualquer adolescente de qualquer tempo. Casaram. Ela contava então com dezesseis anos e ele com dezoito. Ele queria ser cantor. O violão sempre fora seu amigo mais leal. Nas noites enluaradas entoava as modas que lhe alegravam o espírito. Maria queria conhecer o mundo. Gostava de ler, dançar, viver. Eles tiveram sete filhos, mas eles são outra história. Esta é a de Maria e José.
  Maria criou os filhos praticamente sozinha. Trabalhava dia após dia para que não faltasse nada em casa. Empreendedora nata, fazia render, de forma criativa, qualquer quantia de dinheiro que lhe caísse nas mãos. Durante um tempo chegou a…

Amor

Amor é a janela aberta
numa manhã ou numa
tarde azul de outono.
É brisa
É chegada imprevista,
na hora certa.
É espera.
É o pulsar descompassado
que se acalma no
aconchego de um abraço...
É laço.

s.melo

Viva-me

- Ei...
Chegue mais perto
mergulhe nos mistérios meus
encante-se com o universo de
possibilidades que lhe ofereço
a cada amanhecer
experimente-me
viva-me
não vê que sou breve?

ass. Vida

s.melo

Página em branco

A vida é um página em branco.
Tem gente que rabisca,
tem gente que desenha,
tem gente que pinta.
Tem gente que rasga e joga fora,
como forma de tentar estancar a dor.
Tem gente que para no tempo,
numa página de um tempo bom,
como forma de não deixar escapar
algo que o/a encantou.
Tem gente que só escreve, não reflete.
Tem gente que tenta apagar,
esquecer, reescrever.
E tem gente que vira a página
e começa tudo outra vez.

s.melo

Foi assim que tudo começou

Quando eu era criança, adorava ler. O porquê eu não sabia, mas adorava. O problema é que onde eu nasci tudo era muito precário. E eu só pude ler três livrinhos da escola. E eu me lembro de cada um deles. Das cores, dos desenhos, até do cheiro que eles tinham. Mas o que me encantava mesmo eram as palavras. Ah, aquelas palavras eram apaixonantes, preenchiam-me de uma forma que até hoje, não consigo explicar. Sinto, simplesmente.
Meus irmãos dizem que eu quase não falava. Minha mãe achava que eu era surdinha (rs), porque às vezes ela me chamava e eu não a ouvia. Descobri muito tempo depois que, na verdade, eu vivia em um mundo à parte. Um mundinho só meu. Cheio de letrinhas que formavam palavras que eu queria entender.

Muito antes dos oito anos de idade, eu já admirava as estrelas. Deixava-me entorpecer pelo laranja que coloria o horizonte, quando a tarde caía. Passava horas no jardim que minha mãe cultivava do lado direito da nossa casa. Ficava ali com meus pensamentos infantis.

Eu ten…

Por aí...

Às vezes perder-se
é uma forma
de se encontrar.

s.melo

Tempo

O tempo é um menino travesso
que adora nos roubar o presente...
E, ao nos espiar por cima das horas,
ainda debocha e nos mostra a língua
porque é o único que sabe passar.

Tempestade e calmaria

Ela era tempestade
e sob raios e trovoadas
chovia.
Mas ela também
era sol e calmaria.
Ao raiar do dia,
ela sempre acendia.

s.melo

Viver a vida

'Cada vez que amanheço morro um pouco...'
A vida é tão breve
não há tempo a perder
razões pra chorar
e razões pra sorrir
o segredo é viver
não somente existir

- s.melo