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Mostrando postagens de Junho, 2013

Porcelana

Quando fiz 12 anos de idade, uma prima que acabara de se casar precisava de alguém para ajudar nas tarefas de casa. Minha mãe sempre quis que seus filhos não tivessem a vida que ela teve, ou seja, uma vida de pouco estudo. Por conta disso, ela achou que era uma ótima oportunidade de crescimento e autorizou que minha prima me levasse com ela para São Paulo. Naquela época, eu morava lá no norte de Minas Gerais, região de cerrado, às margens do Velho Chico.
Eu, quando criança até a adolescência com meus dentinhos abertos, era tímida, calada, submissa; tudo que me mandavam fazer eu fazia. Não havia em mim qualquer sintoma de rebeldia. Aceitava o que me ofereciam sem reclamar. Quando era algo bom, ficava feliz, quando era algo ruim, debulhava-me em lágrimas. E assim corriam meus dias. Enfim, embarquei com minha prima que amava minha mãe, mas - descobri logo depois da viagem - não ia muito com a minha cara.
A situação era a seguinte: ela e o marido viviam em um apartamento novinho, aconch…