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Mostrando postagens de Dezembro, 2012

Da infância querida

Já faz muitos anos. Mas ainda me lembro daquelas manhãs de junho. Uma brisa suave, com o frescor de uma vida boa, passeava sobre os jardins floridos. Levava com ela as delicadas gotas de orvalho que cobriam as pétalas das rosas, que enfeitavam aquele lugar. Todos os dias aquela brisa me encontrava pelo caminho. Cantava-me uma canção graciosa e iluminada e preenchia meu interior.           Era a natureza se fazendo presente em cada minuto do dia. Este, serenamente nascia, cumpria seu papel e trazia com ele, ao final da tarde, uma visão espetacular. Um verdadeiro milagre. Definitivamente, não eram fins de tarde comuns. Era como se o horizonte fosse um belo quadro. Uma pintura viva. O sol caía lentamente como se soubesse que havia uma plateia o admirando. Parecia-me algo tão próximo. Confesso que tinha vontade de sair correndo ao seu encontro. Sim, na minha ingenuidade de criança, acreditava que poderia tocar o horizonte.           Hoje sei que não posso. Tudo o que me cabe é ale…

Sorria, meu bem!

Complexos, contraditórios, errantes. Difícil chegarmos a um entendimento real sobre o que somos de verdade. O segredo da vida? Talvez nem exista. Se existe, talvez nunca desvendaremos. Não sabemos ao certo o que há nos bastidores de nossa existência. Isto é certo. Por isso, temos que tentar fazer da vida uma inesquecível viagem em busca de tudo que nos alegra a alma.
Então, quando o mundo lhe parecer cruel, sorria. Sorrir é o melhor remédio para curar nossas mazelas. Sorrir é abrir-se para novas possibilidades. Sorria, não para esconder-se, mas para mostrar-se. Não para fugir da realidade, mas para encará-la de frente. Não para fingir felicidade, mas para atraí-la. Sorrisos encantam. Despertam paixões. Desarmam. Tente sorrir, mesmo quando a vontade de chorar for maior, mesmo quando o coração ficar pequeno e apertado dentro do peito. Saiba que tem sempre alguém precisando do seu sorriso.
Não seria justo, no entanto, querermos que todos os dias, todas as pessoas se sentissem felizes e sor…

Cenas cotidianas

Na movimentada avenida: um ônibus, uma bicicleta, uma história interrompida. Carros de bombeiros, tráfego interditado, a vida se esvaindo. De um lado, a bicicleta retorcida como se fosse de borracha, o sapato, - um só-, o boné e a mochila cor de musgo desbotado. Do outro, no asfalto frio das seis da manhã, o corpo de um homem estendido. Imóvel. Sobre ele, bombeiros. Fazem o possível para salvá-lo. Inútil. A morte já o tem nos braços. No sentido oposto da avenida: carros, caminhões, motos, buzinas ao longe. Todos seguem devagar. Olham o cenário por alguns segundos e seguem seus caminhos. A linha que separa vida e morte é mesmo muito tênue. Basta uma fração de segundos. E, fim?