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Que dia!

Segunda-feira, seis hora da tarde, uma tempestade exageradamente furiosa cai sobre a cidade. Carros vão e vem e nesse ir e vir vão espirrando água suja da rua nas pessoas que sofridamente aguardam o seu ônibus, que as levará para casa. O ônibus chega, está lotado. Um cverto tumulto toma conta do local, por alguns segundos; depois de muito 'empurra-empurra', metade das pessoas presentes conseguem entrar no veículo.
O ônibus que já chegou abarrotado, agora com os novos passageiros ficou diícil até para respirar. A situação é tão crítica que, se um indivíduo destento, por algum motivo, tira o pé do lugar, já não terá mais onde acomodá-lo, pois outro pé estará habitando o espaço. Para piorar, todas as janelas estão fechadas. Assim, a paisagem interior compõe-se da seguinte maneira: vidros embaçados, rostos cansados, cabelos arrepiados e roupas molhadas. Odores dos mais variados começam a surgir e o ônibus não sai do lugar, não é o farol, é o trãnsito; emdias de chuva, a cidade alaga, as avenidas param e o povo padece. De um lado uma criança chora desesperadamente, a qual a mãe tenta em vão, acalmá-la, ela está inconsolável. Do outro um idoso reclama que um jovem lhe roubou o lugar reservado á sua condição. O acusado finge que dorme. Ao fundo, alheios à tempestade e ao sofrimento de muitos, três adolescentes que tiveram a sorte de sentar brincam e riem como se no mundo não hovesse problemas.  Embora seja desgastante, todos já estão acostumados a essa vida. É só mais um dia de chuva, na manhã seguinte a jornada recomeça outra vez; quiçá seja um dia um pouco mais leve e o ônibus não esteja tão cheio. Mas se não tiver, não faz mal, faz parte da vida. O povo é forte, o povo aguenta, o povo, a pesar de tudo, é feliz.

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