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Caos

A tela transparente e vazia
A cabeça cheia.
O coração perdido em reflexões 

Como choque de meteoros
Os olhos fundos, 
O sorriso raso, 
A vida descolorida
Sem primavera interior
O universo em descompasso.

Passou. 

Foi apenas um momento
Que parecia atravessar a eternidade,
Mas passou.

Ao som do teclado, a tela foi preenchida com versos

As explosões inconsequentes, 
Transformaram-se em serenas pulsações,
Carregadas de desejos pelo novo
Os olhos e o sorriso se acenderam.

As borboletas, do estômago, festejaram.
A vida estava outra vez em cores.

Em tons de aurora boreal,
O universo (interior) retomou sua ordem
A alma amanheceu outra vez.

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A tal esperança

Tenho vontade,  às vezes,  de abandonar, numa esquina  qualquer do meu ser, essa tal esperança  que insiste em viver comigo.
***
Porque embora às vezes
ela seja alento e ilumine
como um farol na noite escura,
outras, ela pode ser apenas
vã expectativa
que se arrasta
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Dar à luz um poema

As entranhas em ebulição.
Caneta, papel, teclas
ao alcance das mãos.
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ou das teclas de um computador.
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Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

Pronto, nasceu.
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Despertar das borboletas

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s.melo