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Mostrando postagens de Janeiro, 2017

Das nossas memórias

Nossas boas memórias
são como estrelas.
Ainda que a noite caia
e elas não apareçam,
sabemos que estão lá.
Apenas não podemos vê-las.
De quando em vez, porém,
uma ou outra cintila
longínqua, tímida,
mas persistente.
Carrega em seu brilho
o desejo ardente
de ser eterna
na imensidão da gente.

Página em branco

A vida é um página em branco.
Tem gente que rabisca,
tem gente que desenha,
tem gente que pinta.
Tem gente que rasga e joga fora,
como forma de tentar estancar a dor.
Tem gente que para no tempo,
numa página de um tempo bom,
como forma de não deixar escapar
algo que o/a encantou.
Tem gente que só escreve, não reflete.
Tem gente que tenta apagar,
esquecer, reescrever.
E tem gente que vira a página
e começa tudo outra vez .

Vem, não demora!

Esquece a hora,
nosso tempo é agora.
Vem, não demora,
lá fora, uma imensidão
de estrelas nos espera.
E aqui dentro - do coração -
fez-se primavera.
Olha, como a vida é bela!
vem, não chora,
nosso tempo é agora.

Olhe, menina... É a vida!

Por Sueli Melo

Olhe, menina! Eleve seus olhos ao céu. Veja este azul. Veja que paz ele transmite! Mire! Olhe as estrelas, elas também olham para e por você, querem brincar. Querem ver seu sorriso, seu riso sem preocupação. Querem vê-la muito feliz. Sonhe, menina! Acredite que tudo é possível. Não fique triste nem por um segundo enquanto é menina. Não há tempo para isto agora. Não deixe sair de seus olhos estas estrelas. Contemple-as sem pressa. E não se esqueça nunca deste momento. Eternize-o em seu coração.

Mire, menina! É a vida presente aqui. Cada minuto vivido não se repetirá. Tudo muda. Tudo é passageiro. Deseje, peça ao céu e ele concederá tudo que você quiser. Preencha sua alma, menina. Cubra-a com amor. Faça parte, pertença! Doe carinho e afeto, e aceite-os de bom grado. 

Esta é a vida, menina. Talvez você não possa entendê-la agora. Talvez não consiga entender o que falam sobre ela. Em alguns momentos ela vai maltratá-lo, fazê-la sofrer, chorar, sentir raiva, dor. Uma dor que vo…

Adeus, João de Deus

A vida é uma obra bela e trágica

Por Sueli Melo

João de Deus acordou angustiado naquela manhã. Levantou-se da cama, onde a esposa ainda dormia, certo de que teria um dia difícil. Vestiu-se com uma calça jeans surrada, uma camiseta amarela e  seu velho tênis. Antes de sair do quarto, olhou por alguns instantes a mulher de cabelos longos e maltratados e rosto sereno que há dez anos fazia parte de sua história. Com 39 anos, João de Deus tinha conseguido pouco na vida. Ora resignado, ora revoltado aceitava as migalhas que ela lhe oferecia. João era franzino, moreno, cabelos crespos, olhos pequenos verdes e tristes, e dentes amarelos com falhas entre eles. João de Deus era um homem de poucos sorrisos.
Quando criança, João sonhava em ser piloto de avião - conheceu um quando o pai dele trabalhou para este. Imaginava-se voando por cima das nuvens sob o céu. O tempo passou e os sonhos de João não deixaram de ser apenas sonhos. O mais próximo que já chegou deles foi quando prestou algum serviço…