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Mostrando postagens de 2016

Sobre mergulhos

Vive de verdade
quem mergulha fundo
e se deixa mergulhar.
Seja no mar, no sorrir,
no olhar.

É preciso insistir

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Por Sueli Melo

Talvez uma das coisas mais difíceis de ser conquistada nesta vida seja a nossa capacidade de compreender - justamente pela dor que isso causa - que não podemos controlar o mundo à nossa volta. Mas a gente se engana. Acha que sempre está no comando das situações. Não estamos, porém.
Porque a vida é feita de relações nada simples. Qualquer que seja a situação, ela vai envolver sentimentos diversos. E em maior ou menor intensidade: raiva, amor, tristeza, alegria, medo, insegurança. E no sentir, pensar e agir das pessoas ninguém pode mandar. Nem mesmo quem os vivencia.
Cada um é um universo complexo e desconhecido - muitas vezes de nós mesmos -, que, ingenuamente, acreditamos conhecer. Tentar entender e aceitar essa realidade é uma luta penosa e constante. É preciso arranjar forças e acreditar que o impossível não existe, para tentar vencer, a cada dia de vida, os males que nos matam por dentro e ser um ser melhor. É preciso insistir. Sempre. Esta é a minha busca.

O triste destino de Maximiano

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Chamava-se Maximiano, o sobrenome, Santana, era o mesmo do lugar onde nascera e para o qual, ao fugir, com apenas dezesseis anos de idade, nunca mais retornou: Feira de Santana, Bahia. Tinha um corpo franzino, a pele queimada pelo sol e os olhos pequenos e ansiosos. Lá na terrinha, ele vivia com o pai e um irmão mais velho. A mãe morrera cinco anos antes. Desde então, a vida tornara-se menos alegre.

      - Os motivos que me fizeram fugir de casa – dizia ele aos amigos e às pessoas que ia conhecendo ao longo do caminho - queria conhecer o mundo, ganhar dinheiro, construir uma família, ter uma casa grande, bonita.

Eram muitos os sonhos que pulsavam no peito de Maximiano. Acreditava que Feira de Santana era pequena demais para ele. Nada o prendia ali. Um dia pegou suas quatro ou cinco peças de roupa e partiu com uma empreiteira da construção civil que conheceu na cidade vizinha, quando um tio o levou para arrumar trabalho. Não disse adeus. Não olhou para trás. Depois de uma longa e can…

Deixar ir

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Amor é laço, não gaiola. Se for hora de partir, a gente tem de desatar e deixar ir. Amor não se obriga nem se implora. Ninguém controla o que o outro coração decide sentir.

Amanhecer em mim

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E quando tudo era noite em mim, você chegou e me trouxe a aurora mais linda e colorida que já vi. Amanheci.

Adiós, Miguel!

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Havia um jovem chamado Miguel, que vivia muito triste e desenganado. Para ele, nada tinha sentido. Em seus dias, nada mudava, tudo era sempre exatamente igual. Não importava se era primavera, outono ou qualquer estação. Seus olhos viam tudo em cor cinza.
Pela manhã, despertava às sete, tomava um café preto, lia o jornal e seguia para o trabalho, que não ficava longe de onde morava. Lá, havia muitas pessoas: homens e mulheres, jovens como ele. Todavia, não tinha amigos, tratava com indiferença todos que dele se aproximavam. 
Miguel tinha 27 anos, mas por conta de sua postura carrancuda, parecia ter bem mais. Era culto, inteligente e de boa aparência. No entanto, havia em seu semblante uma melancolia profunda. Era como se a vida nunca lhe houvesse dado razões para alegrar-se. Nada lhe despertava a atenção. Nada fazia brotar em seus lábios um sorriso. À noite, antes de dormir, sua cabeça dava voltas e voltas, enquanto seu coração tornava-se cada vez menor. Não entendia o porquê de tanto …

O que vejo da vida

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A vida começa todos os dias. A cada dia somos apresentados a novos horizontes, novas possibilidades. Por isso, não importa se hoje foi de chuva, se fez calor, se a gente brigou com alguém que ama. Sempre se pode mudar as coisas ao redor.
Não somos perfeitos. Erramos e acertamos, sofremos e fazemos sofrer, choramos. Muitas vezes nos sentimos desmotivados, sem vontade de seguir adiante. E várias perguntas passeiam por nossa cabeça: "por que estou aqui?" "Qual é o meu propósito neste mundo?" "Por que minha vida é assim?" "Por que sofro? As respostas nem sempre se mostram claras. As perguntas vêm e vão e a vida também se vai desse jeito. Ainda assim, vale a pena.
Há tantos ministérios, tantas coisas por descobrir, em nós e no outro, ao descortinar de cada manhã. Mesmo que não haja sentido, aparentemente, em algum momento a gente encontra um significado. Seja ao estender a mão a alguém, seja ao alcançar um objetivo, seja simplesmente por nos sentirmos vivo…

Deixar (se) sentir

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É que vida só sabe ir embora.
E, ao ir-se, deixa-nos a chance da novidade.
Outro jeito de olhar o mundo,
infinitas possibilidades.
Por isso é fascinante!
Viver é um constante renovar-se.
É mais ou menos como acontece
com as folhas que caem no outono.
A árvore precisa deixá-las morrer
para que, mais tarde,
a primavera floresça
em seus galhos nus.
Quando chega a hora,
também precisamos deixar ir...
Eis a beleza essencial!
Cada qual tem a sua vez de pertencer,
seu tempo de estar, de ser.
Um tempo que se vai sem dó,
mas que torna eterno
o que é verdadeiro, 'real'
para os que, na sua vez,
ousam, de peito aberto,
se deixar sentir.

Café com Pão

Café com Pão era um mendigo que perambulava pelos arredores da Escola Nossa Senhora de Fátima, em Januária, lá nos confins de Minas Gerais, na década de 1990. O apelido não se sabe quem lhe deu. Sua história, de onde ele veio, qual era seu verdadeiro nome também eram uma incógnita. Era como se o homem tivesse surgido em um passe de mágica.

Café com Pão era alto e forte. Àquela altura, aparentava carregar sobre os ombros meio século de vida. Sobre os ombros ele também trazia um saco de estopa que não largava por nada no mundo, com seus pertences. Parecia carregar ali um tesouro, uma relíquia. Talvez sonhos perdidos. Os cabelos despenteados eram grisalhos e encaracolados, assim como a barba que lhe cobria o rosto quadrado e desgastado pelo tempo. Ainda que na cidade fizesse um calor insuportável, Café com Pão não abria mão de seu terno, que era sempre o mesmo: velho e rasgado embaixo dos braços, cuja cor cinza se confundia com o encardido. Os sapatos eram surrados e furados, o que fazi…

Ah, o mundo

O mundo é um lugar hostil.
É isso que sempre se viu.
Olhe ao redor, repare, perceba:
tanta soberba, tanta guerra,
tanta tristeza. Mas não...
Não vou desistir da vida.
Sei que também existe amor
e outras tantas coisas lindas.
verdadeiras poesias
que não precisam ser escritas -
apenas sentidas.
Vividas.

O amor é livre

Amor é laço, não gaiola.
Se for hora de partir,
a gente tem de desatar
e deixar ir.
Amor não se obriga
nem se implora.
Ninguém controla
o que o outro coração
decide sentir.